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03/11/2016 Medicina

Vírus Mayaro, a nova carga perigosa do Aedes aegypti

Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, anunciaram ter encontrado no Haiti um caso inédito de mayaro, doença caracterizada por uma febre hemorrágica similar à da chikungunya.

Vírus Mayaro, a nova carga perigosa do Aedes aegypti

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Primeiro foi o chikungunya e, depois, o zika. Agora, cientistas e epidemiologistas começam a se preocupar com outro vírus: o mayaro.

Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, anunciaram ter encontrado no Haiti um caso inédito de mayaro, doença caracterizada por uma febre hemorrágica similar à da chikungunya.

Ainda que o vírus não seja totalmente desconhecido - ele foi detectado nos anos 1950 -, até agora só haviam sido registrados pequenos surtos esporádicos na região amazônica e seus arredores.

"Não sabemos se é um vírus novo ou uma nova cepa de diferentes tipos de Mayaro," explicou John Lednicky, coordenador do estudo.

Além disso, este caso pode ser um indício de que o vírus está se espalhando e já começa a circular pela região do Caribe.

Gravidade desconhecida

Lednicky explicou não haver nenhum sintoma que distinga a chikungunya da febre mayaro. Ambas provocam febre, erupções na pele e dores nas articulações.

Em ambos os casos, os efeitos são mais prolongados do que em paciente com dengue e zika, chegando a durar de seis meses a um ano.

Lednicky explicou que é "difícil avaliar o quão grave é o surto de mayaro neste momento", já que existem poucos estudos sobre o vírus. "No Brasil, há dois tipos genéticos diferentes, e não sabemos qual é o mais virulento. Faltam mais estudos e monitoramento das áreas afetadas."

Mayaro nas cidades

"Ambos os vírus eram originalmente transmitidos por mosquitos da selva, infectando pessoas na região amazônica, mas o chikungunya tem-se adaptado e hoje é transmitido por mosquitos urbanos, como o Aedes albopictus e o Aedes aegypti", que também transmitem a febre amarela, a dengue e a zika. O mesmo pode estar ocorrendo no caso do Mayaro," escreveu Marta Zaraska em um artigo publicado sobre o assunto pela revista Scientific American.

Testes de laboratório mostraram que o Aedes albopictus e o Aedes aegypti podem ser vetores da febre mayaro - e o fato de o vírus mayaro ter sido detectado no Haiti sugere que ele também está se adaptando ao ambiente urbano.