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13/08/2021 Notícias

O aumento no número de cesarianas em meio à desigualdade no acesso

As taxas crescentes sugerem procedimentos realizados de modo desnecessário e potencialmente prejudicial.

O aumento no número de cesarianas em meio à desigualdade no acesso

Um em cada cinco partos são cesarianas, é o que aponta uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Este número deve continuar aumentando na próxima década, com quase um terço (29%) de todos os partos provavelmente ocorrendo por cesariana até 2030, como revela a pesquisa.

Apesar de ser uma cirurgia importante e que salva vidas, a cesariana pode, em alguns casos, colocar desnecessariamente em risco mulheres e bebês, quando a sua realização pode ser substituída pelo parto natural.

O diretor do Departamento de Saúde Sexual e Reprodutiva e Pesquisa da OMS e do programa conjunto da ONU, HRP, Ian Askew, afirma que “as cesarianas são absolutamente essenciais para salvar vidas em situações em que partos vaginais representam riscos, portanto, todos os sistemas de saúde devem garantir o acesso oportuno para todas as mulheres quando necessário”.

Recomenda-se que as cesarianas sejam realizadas em situações em que há trabalho de parto prolongado ou obstruído, sofrimento fetal ou porque o bebê está em uma posição inadequada.

No entanto, ainda estamos falando de uma cirurgia que pode apresentar risco potencial de sangramento hemorrágico ou infecção.

A mulher pode ter, ainda, um processo de recuperação mais lento, atraso na amamentação e complicações nas próximas gestações.

Aumento da taxa

O crescimento das taxas de cesarianas tem se apresentado mundialmente desigual, visto as divergências sobre onde a mulher mora.

Em países menos desenvolvidos, cerca de 8% das mulheres deram à luz por cesariana, sendo apenas 5% na África Subsaariana, indicando uma falta preocupante de acesso a essa cirurgia.

Já na América Latina e no Caribe, as taxas chegam a quatro em cada 10 (43%) nascimentos.

No entanto, na República Dominicana, no Brasil, no Chipre, no Egito e na Turquia as cesarianas agora superam os partos normais.

A pesquisa da OMS sugere que houve um aumento de cerca de 21% e estima que esse crescimento perdurará.

Cuidados necessários

Muitas podem ser as causas da realização de cesarianas, quais sejam, política e financiamento do setor de saúde, normas culturais, percepções e práticas, taxas de nascimentos prematuros e qualidade da atenção à saúde.

A OMS não faz distinção, ao recomendar especificamente taxas-alvo, mas pondera sobre a importância de cuidar das necessidades de cada mulher durante a gestação e o parto.

A médica da OMS e HRP, Ana Pilar Betran, afirma que “é importante que todas as mulheres possam conversar com os profissionais de saúde e participar da tomada de decisão sobre o seu parto, recebendo informações adequadas, incluindo os riscos e benefícios. O apoio emocional é um aspecto fundamental do atendimento de qualidade durante a gravidez e o parto”.

A OMS recomenda algumas ações não clínicas para reduzir o uso desnecessário, do ponto de vista médico, de cesarianas:

●      Intervenções educacionais que envolvem as mulheres ativamente no planejamento do parto, como oficinas de preparação para o parto, programas de relaxamento e apoio psicossocial quando desejado, para aquelas com medo da dor ou ansiedade. A implementação de tais iniciativas deve incluir monitoramento e avaliação contínuos.

●      Uso de diretrizes clínicas baseadas em evidências, realização de auditorias regulares de práticas de cesariana em unidades de saúde e fornecimento de feedback oportuno aos profissionais de saúde sobre os resultados.

●      Exigência de uma segunda opinião médica para uma decisão de cesariana em locais onde isso for possível.

Para manter-se atualizada quanto aos desdobramentos do aumento da taxa de cesarianas, não deixe de acompanhar as notícias aqui no blog do Dr. Teuto.

 

Fonte:

- https://www.paho.org/pt/noticias/16-6-2021-taxas-cesarianas-continuam-aumentando-em-meio-crescentes-desigualdades-no-acesso

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