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30/09/2013 Dicas

Fitoestrógenos da soja são benéficos ou prejudiciais à saúde humana?

Os dados da literatura ainda são controversos quanto à generalização dos benefícios das isoflavonas de soja, assim como dos seus efeitos adversos.

Fitoestrógenos da soja são benéficos ou prejudiciais à saúde humana?

Fitoestrógenos são compostos com atividade estrogênica encontrados em diversas plantas. A denominação “fitoestrógenos” é uma classificação funcional, ligada à sua bioatividade, e não à caracterização química dos compostos, pois eles não são esteróides como os estrógenos propriamente ditos. Os principais fitoestrógenos são as isoflavonas e a principal fonte de isoflavonas é a soja, embora também estejam presentes em menores quantidades em outras plantas da família das leguminosas, assim como em sementes de linhaça, brotos de alfafa, cimicífuga e trevo vermelho.

Os dados da literatura ainda são controversos quanto à generalização dos benefícios das isoflavonas de soja, assim como dos seus efeitos adversos. É preciso ter clareza sobre essa questão porque o consumo mundial de fitoestrógenos está aumentando rapidamente. Estes compostos estão presentes em vários suplementos dietéticos e são amplamente comercializados como uma alternativa dita “natural” à terapia de reposição de estrógenos na pós-menopausa, o que demanda a necessidade de se avaliarem criticamente os seus efeitos potenciais para a saúde, tanto os benéficos quanto os prejudiciais.

Apesar de serem considerados potenciais alternativas à terapia de reposição 
hormonal, sua eficácia sobre os sintomas climatéricos ainda não está plenamente 
estabelecida, pois os ensaios clínicos com este objetivo revelaram resultados 
mistos [1]. Além da sua ação estrogênica, outros efeitos terapêuticos benéficos têm sido atribuídos às isoflavonas, como a sua ação antioxidante [2] e antineoplásica em estudos in vitro [3]. Há evidências de que as isoflavonas exibem um efeito bifásico sobre o crescimento de células de câncer de mama in vitro, estimulando a proliferação celular em baixas concentrações, mas inibindo-a em altas concentrações [4]. Entre os estudos clínicos realizados com isoflavonas da soja, investigaram-se clinicamente sobretudo seus efeitos sobre sintomas climatéricos [1], vaginite atrófica [5], osteoporose pós-menopausal [6], hipercolesterolemia [7] e função cognitiva [8].

As isoflavonas também tem sido consideradas “disruptores endócrinos”, ou seja, substâncias que promovem alterações no sistema endócrino humano e na ação hormonal normal do organismo. O possível efeito dos fitoestrógenos no aumento ou redução do risco de câncer de mama tem sido um dos mais desafiadores impactos que têm sido estudados. Outra possibilidade preocupante é o potencial das isoflavonas em interferir na ação dos estrógenos no desenvolvimento do cérebro e do sistema reprodutivo quando ingerido ao longo da gestação ou da 
primeira infância, com risco de malformações no ovário, útero, glândula mamária e próstata, além do risco de puberdade precoce e redução da fertilidade [9].

Outra preocupação é a de que a soja possa afetar adversamente a função 
da tireóide e interferir com a absorção do hormônio tireoidiano sintético. Os 
resultados dos estudos sobre esta associação fornecem pouca evidência de que 
em indivíduos com função tireoidiana previamente normal e sem deficiência 
de iodo, as isoflavonas afetem a função da tireóide, mas há evidências que 
sugerem que, por inibirem a absorção, os fitoestrógenos da soja possam levar à 
necessidade de aumento da dose do hormônio tireoidiano sintético em pacientes com hipotireoidismo. Além disso, continua a existir uma preocupação teórica com base nos dados in vitro e em animais de que os indivíduos com carência de iodo possam ter um risco aumentado de desenvolver hipotiroidismo clínico [10].

Portanto, a questão de os fitoestrógenos serem benéficos ou prejudiciais para 
a saúde humana continua incerta. Sabe-se que para um consumidor moderado de isoflavonas da soja na dieta, não há necessidade de alarme. Contudo, mulheres grávidas, amamentando ou tentando engravidar, devem usar alimentos de soja com bastante cautela e estar cientes de que fórmulas à base de soja não são devem ser dadas aos seus bebês. Os indivíduos mais velhos, especialmente aqueles com níveis elevados de colesterol, podem ter benefícios discretos, incluindo também melhora na massa óssea e na saúde cardiovascular, e talvez uma diminuição do risco de carcinogênese. Desse modo, a moderação é a chave para maximizar os benefícios dos fitoestrógenos da soja na saúde, e minimizar seus efeitos adversos. Além disso, deve-se dar preferência aos alimentos reais na própria dieta, ao invés do consumo de suplementos ou alimentos processados ​​aos quais se adicionou a proteína da soja. E os médicos devem orientar seus pacientes susceptíveis sobre os efeitos das isoflavonas da soja sobre a função da tireóide.

Referências
1- KAARI, C. et al. Randomized clinical trial comparing conjugated equine 
estrogens and isoflavones in postmenopausal women: a pilot study. Maturitas, 53 (1): 49-58, 2006.
2- LIU, J.; CHANG, S.K.; WIESENBORN, D. Antioxidant properties of soybean 
isoflavone extract and tofu in vitro and in vivo. J Agric Food Chem, 53 (6): 2333-2340, 2005.
3- FANG, N. et al. Characterization of isoflavones and their conjugates in female rat urine using LC/MS/MS. J Agric Food Chem, 50 (9): 2700, 2002.
4- VALACHOVICOVA, T. et al. Soy isoflavones suppress invasiveness of breast 
cancer cells by the inhibition of NF-kappaB/AP-1-dependent and -independent 
pathways. Int J Oncol. 25 (5): 1389-1395, 2004.
5- CHIECHI, L. M. et al. The effect of a soy rich diet on the vaginal epithelium in 
postmenopause: a randomized double blind trial. Maturitas, 45 (4): 241-246, 2003.
6- WEAVER, C. M.; CHEONG, J. M. Soy isoflavones and bone health: the 
relationship is still unclear. J Nutr, 135 (5): 1243-1247, 2005.
7- GOLDIN, B. R. et al. Hormonal response to diets high in soy or animal protein 
without and with isoflavones in moderately hypercholesterolemic subjects. Nutr Cancer, 51(1): 1-6, 2005.
8- FILE, S. E. et al. Cognitive improvement after 6 weeks of soy supplementation in postmenopausal women is limited to frontal lobe function. Menopause, 12 (2): 193-201, 2005.
9- PATISAUL, H. B.; JEFFERSON, W. The pros and cons of phytoestrogens. 
Front Neuroendocrinol. 31(4): 400-419, 2010.
10- MESSINA, M.; REDMOND, G. Effects of soy protein and soybean isoflavones on thyroid function in healthy adults and hypothyroid patients: a review of the relevant literature. Thyroid, 16(3):249-58, 2006

*Semanalmente, o Dr. Teuto abre este espaço para seus parceiros exporem suas opiniões e ideias sobre diversos temas. Portanto, este conteúdo é de total responsabilidade de seus autores.

Assuntos relacionados: Leguminosas, Fitoestrógenos, Soja, Linhaça, Saúde