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07/06/2019 Medicina

O que é o vírus Mayaro e por que está em evidência nos últimos dias?

Estudo da USP revela que o “primo” do chikungunya está em circulação no país e desperta atenção no setor de saúde

O que é o vírus Mayaro e por que está em evidência nos últimos dias?

Vírus como o da Dengue, da Zika e do Chikungunya já são bastante conhecidos pela população brasileira, mas e quanto ao vírus Mayaro? O que é essa doença, como ela é transmitida e como se prevenir? Acompanhe para entender melhor sobre esse novo vírus em circulação no país.

Apesar de os dados sobre o vírus virem à tona atualmente, o Mayaro está presente no Brasil há bastante tempo. O vírus em questão já é conhecido desde os anos 50 com atuação restrita na região amazônica. Nesse contexto, a doença é transmitida por mosquitos do gênero Haemagogus.

Entretanto, foi demonstrada em alguns estudos a incidência de casos fora de sua região predominante. Sendo assim, é possível que haja a transmissão através de mosquitos urbanos, como o Aedes e o Culex. Entenda mais sobre o assunto!

O que é o vírus Mayaro? Transmissão, sintomas, diagnóstico e tratamento

O vírus Mayaro é conhecido como “primo do Chikungunya” porque seus sintomas são muito semelhantes, podendo causar artrite crônica após a fase aguda da enfermidade. A doença é causada por um arbovírus da família Togaviridae, gênero Alphavirus, assim como o vírus Chikungunya.

Mamíferos e aves são possíveis hospedeiros do vírus, enquanto o ser humano é considerado hospedeiro acidental. Muito semelhante ao ciclo da febre-amarela, a transmissão ocorre quando um mosquito infectado pica o hospedeiro, contribuindo assim para a disseminação, já que outro mosquito pode ser infectado através do repasto sanguíneo e reiniciar o ciclo.

Os sintomas principais incluem febre e dores nas articulações, também podem surgir manchas na pele, dores musculares e náuseas. Algumas complicações graves estão relacionadas a problemas neurológicos, à hemorragia e até à morte.

O diagnóstico é realizado através de análise clínica dos sintomas, sendo posteriormente relacionada ao histórico de exposição do paciente às áreas de risco. Entretanto, por ser muito semelhante às outras arboviroses, o diagnóstico laboratorial é essencial, utilizando técnicas de purificação do vírus, seguido de biologia molecular ou análises sorológicas.

Atualmente não estão disponíveis tratamentos contra a enfermidade. As ações são sintomáticas, utilizando analgésicos e anti-inflamatórios para conter as dores e a febre. Evitar circular em áreas endêmicas sem a devida proteção, usar repelentes e utilizar proteções físicas como mosquiteiros, são algumas das ações de prevenção da doença.

Alerta recente sobre o vírus

Um alerta recente expedido pela USP afirma que o SUS não está preparado para diagnosticar o vírus Mayaro. Os estudiosos afirmam o quanto é preocupante uma rede de saúde pública despreparada para agir nesses casos.

Além disso, foi evidenciada a importância das pesquisas na área, para que seja possível entender melhor a doença e tratar os pacientes, impedindo que a virose evolua. Os pesquisadores reforçam a importância do controle da disseminação desses vetores e a utilização de métodos de proteção individuais, como os repelentes.

Situação atual e perspectivas

Para alguns profissionais, muitos casos registrados como outras arboviroses podem ser relacionados ao Mayaro. Acredita-se que o vírus esteja em circulação na região sudeste do país. Nesse sentido, seria interessante o desenvolvimento de laboratórios com o fim diagnóstico para essas doenças.

Segundo um artigo publicado em 2016, a semelhança entre o vírus Chikungunya e o Mayaro explicam a possibilidade de o Mayaro se tornar uma nova epidemia. Ambos eram transmitidos por mosquitos de mata e atualmente são capazes de infectar os urbanos.

Segundo a perspectiva do estudo, o mesmo pode acontecer com o vírus Mayaro no futuro. Para saber mais sobre o assunto, siga-nos nas redes sociais e se informe.

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