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01/02/2018 Medicina

Cientistas estudam o transplante de fezes para tratar a obesidade

A técnica consiste em repovoar o intestino do transplantado com bactérias do bem.

Cientistas estudam o transplante de fezes para tratar a obesidade

Um estudo iniciado em 2017 procura entender a relação entre o transplante de fezes e a perda de peso após a cirurgia bariátrica. Os pesquisadores querem descobrir se o transplante seria capaz de fazer o paciente perder mais peso após o procedimento cirúrgico.

A técnica, que teve a sua primeira publicação científica divulgada em 2013, é conhecida oficialmente como transplante de microbiota fecal. A iniciativa pretende repovoar o intestino de pessoas doentes com as bactérias do bem, aquelas comumente encontradas no intestino de pessoas saudáveis.

Seja por uma dieta desequilibrada, ou deficiência do organismo, as pessoas com obesidade deixam de produzir esses micro-organismos. Como consequência o corpo fica desregulado, ou é bombardeado com as bactérias ruins, o que mantém o problema da obesidade nos pacientes mesmo após a cirurgia.

O tratamento não tão convencional pretende curar o intestino das pessoas obesas e, com isso, auxiliar na perda de peso. O que aconteceria, segundo os pesquisadores, com a restauração da flora intestinal dos pacientes.

O transplante

A técnica ainda é considerada relativamente nova, com o primeiro registro feito em 2013. Além disso, há muita polêmica no meio acadêmico sobre o assunto e alguns especialistas recomendam muita cautela no procedimento.

André Zonetti comparou a técnica com os primeiros estudos sobre a transfusão de sangue em 1950. O maior motivo para isso, segundo o gastroenterologista do HC da USP, é a falta de conhecimento em relação às possíveis complicações do transplante de fezes.

 

 

Contudo, o procedimento já vem sendo utilizado em diversas partes do mundo para infecção recorrente por Clostridium difficile. A bactéria, inofensiva para a maior parte das pessoas, causa diarreia, dores abdominais e até feridas no intestino que precisam ser removidas cirurgicamente.

Pesquisas estimam que o micro-organismo afete uma a cada trinta pessoas, embora nem todas manifestem os sintomas e complicações da doença. O transplante de microbiota é uma descoberta recente para o tratamento dessa doença, muito comum em idosos que usam antibióticos frequentemente.

Já há, inclusive, registros dos primeiros bancos de fezes do mundo. No Brasil, o mais conhecido deles é o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), criado em 2017 e que já conta com três doadores.

Cuidados especiais

Como nem todas as consequências do procedimento são conhecidas pelos pesquisadores, é necessário tomar uma série de cuidados para o transplante.

No caso da obesidade, recomenda-se aguardar a plena recuperação do paciente da cirurgia bariátrica para o transplante.

Além disso, o doador deve ser verificado com cautela a fim de garantir que não há doenças infecciosas ou outros problemas que possam ser transferidos ao transplantado.

Resta agora aguardar a evolução desses estudos, bem como os benefícios que essa descoberta pode trazer à medicina.

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