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11/07/2017 Medicina

Pacientes com Alzheimer: como se comunicar corretamente

Pacientes com Alzheimer apresentam perda gradativa de memória e outras funções mentais importantes. Saiba como se comunicar com eles de forma correta

Pacientes com Alzheimer: como se comunicar corretamente

A doença de Alzheimer afeta principalmente os idosos, não tem cura e piora com o tempo. Os pacientes com Alzheimer apresentam a perda progressiva da memória, além de declínio cognitivo generalizado. Estima-se que 44 milhões de indivíduos no mundo têm a doença, e as projeções estimam um aumento exponencial até 2050: o número deve chegar a 135 milhões. Isso porque a maior expectativa de vida aumenta os riscos de aparecimento da doença e o tempo que os pacientes com Alzheimer convivem com ela.

Embora cada vez mais comum, os médicos ainda não conhecem exatamente os motivos que causam este declínio cognitivo. Sabe-se que existe aumento em uma proteína em volta dos neurônios, criando placas que destróem as conexões entre as células. Entretanto, não se conhecem os motivos para esse aumento das proteínas.

Por esse motivo, ainda não existem medicamentos totalmente eficazes para tratar a doença. Segundo um levantamento de uma clínica americana, 99% das drogas testadas entre 2002 e 2012 não trouxeram resultados positivos. Em estágios mais avançados, é ainda mais difícil tratar, pois embora seja possível retirar a proteína que provoca a confusão mental, a maioria dos neurônios já ficou debilitada e não há forma de reverter a situação.

 

Pacientes com Alzheimer não perdem somente a memória

Na medida em que a doença de Alzheimer se agrava, não só a memória é afetada. Um estudo feito pela Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto identificou que 26% dos pacientes com quadro moderado de Alzheimer não sentiam gosto direito. Além do paladar, a doença também prejudica a linguagem, a atenção e a orientação espacial.

A perda da visão reduz significativamente a qualidade de vida do paciente com Alzheimer. Ele, que já se sente confuso e desorientado por causa da doença, sente-se ainda pior com as dificuldades em enxergar. A demência leva ainda os indivíduos a terem dificuldade de identificar cores suaves e tonalidades. Uma boa solução é usar o recurso de cores contrastantes. Também é recomendado evitar desenhos geométricos, que confundem os pacientes com Alzheimer, além de mudanças bruscas de luminosidade.

Outro sentido prejudicado é o da audição. Por isso, é importante ficar atento aos sinais de surdez e, assim que identificados, uma alternativa é usar aparelhos de surdez. Quanto mais cedo o problema for detectado, maior é a possibilidade de uma adaptação bem sucedida.

 

Como se comunicar com um paciente na fase inicial de Alzheimer

A tarefa de se comunicar com um paciente com Alzheimer deve abranger todos os recursos possíveis, desde a palavra falada, até a escrita, gestos, contato físico e, não menos importante, o cuidado com atitudes e tom de voz. Este não deve ser agudo ou muito alto, por exemplo, pois os pacientes costumam ter dificuldade para distinguir sons de alta frequência.

 

 

No início da doença, os problemas de comunicação são os mais difíceis de serem enfrentados. Às vezes, a doença pode ainda não estar diagnosticada, e seus sintomas podem ser confundidos com o processo normal de envelhecimento e, portanto, serem subvalorizados. Neste período, a atitude do cuidador é fundamental, para lidar com duas incapacidades mais comuns: o circunlóquio e a digressão.

 

  • O circunlóquio é o rodeio de palavras, quando o paciente não encontra mais a palavra exata e buscam outras formas de se fazer entender. Em vez de perguntarem onde está a caneta, por exemplo, podem perguntar "você viu aquilo que escreve?". Ao contrário de corrigir bruscamente o paciente, recriminando-o, deve-se estimulá-lo, pois ele atinge o objetivo de se comunicar e consegue manter a interatividade.
  • A digressão é o desvio de assunto. O paciente com Alzheimer pode fugir completamente do assunto que era o objeto inicial da conversa. Assim como o circunlóquio, não deve ser rudemente corrigida. Se a pessoa não consegue voltar ao ponto inicial, deve-se tentar conduzi-la ao assunto.

 

Como se comunicar com um paciente com Alzheimer em sua fase intermediária

Nessa fase, há queda no desempenho das atividades cotidianas, maior dependência física e deterioração das funções cognitivas. A linguagem fica cada vez mais comprometida, por isso outros recursos como gestos, atitudes e mímicas podem ser utilizados.

O circunlóquio deixa de ser utilizado pelos pacientes com Alzheimer, que tendem a buscar a parafasia, palavras com significado próximo à ideia que desejam expressar. Às vezes, podem utilizar palavras com o sentido oposto daquele que realmente desejam expressar, por exemplo, pedindo sal quando na verdade querem açúcar.

Neste período, é interessante estimular o paciente a fazer mímica, além de tentar descobrir o que ele está tentando dizer com perguntas simples. O vocabulário deve ser o mais direto e claro o possível, evitando termos pouco usados no cotidiano. Por exemplo, no lugar de perguntar "quer um pedaço" ou somente "quer isso aqui", é melhor ser específico e perguntar "você quer pão?".

 

Comunicação com o paciente com Alzheimer nas fase finais

A partir da terceira fase, o processo de comunicação fica cada vez mais complexo. Há também dificuldade de locomoção e perda de capacidade para realizar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho e comer. A mímica se torna essencial para o entendimento. Outra alternativa é mostrar o objeto ou a comida e deixar que o paciente assine "sim" ou "não" para informar se o deseja.

Na fase terminal, até a presença do cuidador pode deixar de ser percebida. O objetivo, neste período, deve ser propiciar conforto e afeto ao paciente. Gestos se tornar a principal forma de comunicação: falar segurando as mãos, cumprimentá-lo com beijos e abraços afetuosos, confirmar com a expressão facial que está entendendo o que ele quer comunicar e encorajá-lo a tentar são os principais instrumentos a serem usados.

 

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