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18/05/2017 Medicina

O papel do médico no processo de doação de órgãos

Entenda o processo de doação de órgãos e o papel do médico ao lidar com uma situação delicada, que de um lado envolve perda e, de outro, esperança.

O papel do médico no processo de doação de órgãos

A doação de órgãos é um processo extremamente delicado, sob vários aspectos. Além de ser uma cirurgia de risco, há uma grande carga emocional envolvida. De um lado, a perda dos familiares do doador de órgãos. De outro, a esperança daqueles que esperam por um transplante. Atualmente, no Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é que mais de 41 mil pessoas estejam à espera de uma doação de órgão. Em 2015, foram realizadas 23.666 cirurgias. Veja alguns dados:

  • 13.793 pacientes receberam novos corações;
  • 5.049 receberam novos rins;
  • O rim é também o órgão mais demandado, cerca de 25 mil pacientes esperam por um transplante renal;
  • Em seguida, vêm as córneas (12.686) e o fígado (2.193).

 

Quais as etapas do processo de doação de órgãos e por que ele é tão complexo?

 

Até salvar uma ou mais vidas, o órgão passa por um caminho longo, com as seguintes etapas:

 

1. Confirmação da morte encefálica do doador

Esse é um quadro irreversível que indica a parada total das funções cerebrais. Em geral, ocorre após traumatismos cranianos ou acidentes vasculares.

 

2. Autorização da família

Para que a doação de órgãos seja realizada, a família deve autorizá-la. Mensagens por escrito deixadas pelo doador não são válidas para permitir o transplante. Por isso, é importante conversar com a família ainda em vida e deixar claro esse desejo. De acordo com o Ministério da Saúde, metade das famílias entrevistadas não permite a retirada dos órgãos para doação.

 

3. Entrevista com a família

Ela é essencial para investigar o histórico clínico do doador e rastrear possíveis doenças.

 

4. Retirada dos órgãos

É possível retirar mais de um órgão para doação. Em geral, as cirurgias mais recorrentes são as de coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. Isso possibilita que diferentes pessoas se beneficiem dos órgãos de um mesmo doador.

 

5. Transporte e transplante

O órgão é então levado ao hospital onde encontra-se o receptor. No caso de doação entre pessoas de estados diferentes, o Ministério da Saúde viabiliza o transporte aéreo dos tecidos e órgãos.

 

6. Recuperação

Depois de transplantado, o paciente passa por um pós-operatório semelhante ao de outras cirurgias. Por toda a vida, ele terá de tomar medicamentos que previnem uma possível rejeição do corpo ao novo órgão. A estimativa é de que a sobrevida dos pacientes depois de cinco anos do transplante é de 60% nos casos de transplante de fígado e pulmão; 70% para cirurgias de substituição do coração; e 80% para os transplantes de rim.

 

Médicos desempenham um papel crucial na doação de órgãos

 

Além da corrida contra o tempo para que a doação de órgãos seja bem sucedida, os médicos precisam lidar com lados delicados da situação: de uma parte, o luto da família do doador; de outra, a esperança de quem vai receber o novo órgão.

Os médicos, especialmente os intensivistas, também precisam estar preparados para identificar um doador de órgãos em potencial. Para poder ser transplantado, o órgão precisa ser retirado do corpo antes que o coração pare de bater. Isso significa que os médicos devem verificar a morte cerebral e alertar o time de transplante.

Um fator comum citado por cirurgiões em países que têm baixa doação de órgãos é que é comum os médicos simplesmente informarem às famílias da morte do paciente e obterem permissão para desligar os aparelhos que mantêm o coração batendo. Por esse motivo, é essencial chamar a atenção para essa causa na comunidade médica.

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Assuntos relacionados: doação de órgãos, médicos