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12/04/2016 Notícias

Virei médico, e agora?

Agora que você saiu da segurança da escola médica e da residência médica, quais são os próximos passos? Como posso planejar a minha vida?

Virei médico, e agora?

Depois de alguns anos de muito esforço e dedicação, enfim médico. O tão sonhado número de CRM, o reconhecimento de ser um doutor e a alegria imensa dos familiares vem acompanhado agora da angústia do próximo passo. De um posicionamento de “arte de curar”, em que o médico detinha a magia dos remédios e o enfrentamento pessoal da enfermidade, a atuação médica caminha cada fez mais ao posicionamento de profissão comum e sujeita às contradições sociais.

O profissional da medicina, outrora endeusado e considerado um artista, atuando através dos seus conhecimentos adquiridos e da experiência própria, foi aos poucos sendo destituído do glamour e do mistério que o caracterizavam, assumindo o papel de profissional sujeito a uma série de exigências antes desconhecidas.

Se por um lado adquiriu a seu favor uma ciência que se renova a cada dia, por outro passou a enfrentar as expectativas de uma população informada e vigilante, somadas por sua vez a circunstâncias externas que interferem diretamente na atuação médica: políticas de saúde, carência de recursos, superlotação de serviços, desvalorização do trabalho médico, banalização de informações.

O profissional médico bem sucedido não é apenas aquele que sabe lidar melhor com seus pacientes, tem um conhecimento profundo das mais diversas anomalias, doenças e tratamentos e nem aquele que executa com perfeição o que lhe é proposto. Os novos paradigmas vão muito além da medicina e desafios inerentes a profissão. Entra em cena também a vida pessoal, na qual em inicio de carreira é largamente dedicada aos plantões, residência, estudos, entre vários outros, com uma carga horaria muito superior a maioria das profissões.

Atualmente é preciso saber lidar com diversas questões externas à sua atividade e principalmente internas da pessoa que veste este jaleco. É inegável que existe um reconhecimento por este esforço, não apenas profissional, mas também pessoal e financeiro. No entanto para obter um pleno equilíbrio e qualidade de vida não basta apenas ganhar dinheiro é preciso conhecer bem diversas questões cotidianas que em muitas vezes negligenciadas dificultam seu crescimento para a sua melhor versão de si mesmo. É fundamental conhecer suas receitas e despesas, determinar e mensurar objetivos profissionais e pessoais, criar um caminho racional para a realização destes objetivos e saber equilibrar o tempo dedicado ao trabalho, pacientes, família, amigos e pessoal.

Quando jovem, o médico muitas vezes tem muita energia para trabalhar, ainda pouca reserva financeirae muito pouco tempo. O próximo passo é obter melhor reserva financeira, manter a energia de trabalhar e ter mais tempo para a sua vida pessoal. Em um momento sua energia de trabalhar vai diminuir e caso tenha uma boa reserva financeira irá te permitir ter ainda mais tempo para você. Tudo isso não acontece ao acaso, é construído durante a sua carreira, mas que deve começar logo no inicio.

Portanto não se deve tratar o dinheiro como um sim em si mesmo, mas como uma ferramenta para proporcionar a realização de sonhos e projetos. Ganhar bem não necessariamente representa melhor qualidade de vida, no entanto uma renda aliada com uma boa gestão de vida alicerçada por planejamento financeiro, certamente será muito mais eficiente.

Texto: Luiz Fernando Schvartman

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