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25/11/2014 Dicas

Anemia no idoso: condição comumente negligenciada

O aumento da incidência de anemia com o envelhecimento levou à especulação de que os níveis de hemoglobina mais baixos podem ser uma consequência normal do envelhecimento.

Anemia no idoso: condição comumente negligenciada

A anemia não pode ser aceita como uma consequência inevitável do envelhecimento. Anemia nunca é normal, e no idoso não é diferente. É preciso considerar, entretanto, que a anemia é um transtorno frequente em idosos, pois a prevalência aumenta com a idade, mas se trata de um problema a ser investigado e tratado [1]. Anemia em indivíduos mais velhos está associada com uma ampla gama de complicações aumento da mortalidade, doenças cardiovasculares, disfunção cognitiva, hospitalização prolongada e queda significativa na qualidade de vida [2]. Portanto, a anemia é considerada um problema de saúde pública na população idosa e atua negativamente na sua saúde geral, agravando problemas preexistentes e levando ao surgimento de novas complicações [1].

O aumento da incidência de anemia com o envelhecimento levou à especulação de que os níveis de hemoglobina mais baixos podem ser uma consequência normal do envelhecimento. No entanto, existem pelo menos duas razões para se considerar a anemia nos idosos como um sinal de doença. Em primeiro lugar, a maioria das pessoas mais velhas mantêm uma contagem de glóbulos vermelhos, hemoglobina e hematócrito normais. Em segundo lugar, na maioria dos pacientes idosos, uma causa subjacente da anemia é encontrada quando os níveis de hemoglobina estão inferiores a 12 g/dL. A anemia normocítica e normocrômica – associada à anemia de doença crônica - é a forma mais comum de anemia em idosos. Numerosas doenças estão associadas com anemia de doença crônica, geralmente d eintensidade leve a mdoerada, mas, em muitos casos, uma doença subjacente muitas vezes não é identificada [1].

O padrão de referência para diagnóstico de anemia é nível de hemoglobina (Hb) abaixo de 12 g/dL para mulheres e 13 g/dL para homens, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) [3]. A prevalência de anemia, segundo esses critérios, é maior em homens do que mulheres e também nos de idade mais avançada [4]. Embora as estimativas variem muito, quase um quarto de octagenários que vivem na comunidade e metade dos idosos cronicamente doentes têm níveis de hemoglobina que satisfazem os critérios diagnósticos de anemia. É um problema frequente também no contexto hospitalar: entre 709 pacientes idosos com idades de 60 anos ou mais internados no Hospital Madre Teresa, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, a prevalência de anemia foi de 30% [5]. Revisão sistemática revela que de trinta e quatro estudos publicados sobre este tema, totalizando o avaliação de 85.409 indivíduos e utilizando os critérios da OMS, a média ponderada da prevalência de anemia foi de 17% (intervalo de 3% a 50%). A prevalência média ponderada foi de 12% (3% a 26%) em 27 estudos realizados na comunidade (69.975 indivíduos), 47% (31% a 50%) em três estudos feitos em lares de idosos (1.481 indivíduos) e 40% (40% a 72%) em quatro estudos incluindo pacientes em internações (13.953 indivíduos) [4].

Apesar da alta prevalência de anemia em idosos, trata-se de uma condição negligenciada, pois várias características de anemia tornam mais fácil a falta de detecção desta anormalidade. O início dos sintomas e sinais é geralmente insidioso, e muitos pacientes idosos ajustam as suas atividades enquanto seus organismos fazer adaptações fisiológicas para a condição. Os sintomas típicos de anemia, tais como fadiga, fraqueza e dispnéia, não são específicos e em pacientes idosos tendem a ser atribuídos ao avanço da idade. Palidez pode ser um indício de diagnóstico útil, mas pode ser difícil de detectar em idosos. Palidez da conjuntiva é um sinal de maior confiança, e sua presença deve levar o médico a solicitar exames de sangue para detecção laboratorial de anemia.

Referências
1- Smith DL. Anemia in the elderly. Am Fam Physician. 2000; 1;62(7):1565-72
2- Eisenstaedt R, Penninx BW, Woodman RC. Anemia in the elderly: current understanding and emerging concepts. Blood Rev. 2006;20(4):213-26.
3- World Health Organisation: Nutritional anemia: report of a WHO Scientific Group. Geneva, Switzerland: World Health Organisation; 1968. Parâmetros OMS.
4- Gaskell H, Derry S, Andrew Moore R, McQuay HJ. Prevalence of anaemia in 
older persons: systematic review. BMC Geriatr. 2008;8:1.
5- Bosco RM et al. Anemia and functional capacity in elderly Brazilian hospitalized patients. Cad Saude Publica. 2013;29(7):1322-32.

*Semanalmente, o Dr. Teuto abre este espaço para seus parceiros exporem suas opiniões e ideias sobre diversos temas. Portanto, este conteúdo é de total responsabilidade de seus autores.