Blog


01/10/2014 Dicas

Erros de diagnóstico médico

Os erros de diagnóstico são o lado mais submerso do iceberg dos erros médicos e os que são mais sub-avaliados, provavelmente pela sua invisibilidade e difícil avaliação.

Erros de diagnóstico médico

Um grande número de processos de negligência médica resultam da falha ou atraso no diagnóstico de uma doença. Quando o erro diagnóstico de um médico conduz a um tratamento incorreto, tratamento tardio, ou nenhum tratamento, a condição do paciente pode piorar significativamente.

Os erros de diagnóstico são o lado mais submerso do iceberg dos erros médicos e os que são mais sub-avaliados, provavelmente pela sua invisibilidade e difícil avaliação [1]. Embora diagnósticos errados sejam uma importante preocupação para o médico quanto à segurança do seu paciente, permanecem em grande parte não estudados, especialmente no contexto ambulatorial.

Atualmente, considera-se que a maioria dos erros de diagnóstico são cognitivos [2]. No entanto, erros de diagnóstico que prejudicam os pacientes são geralmente resultado de múltiplas falhas, tanto de fatores individuais quanto do sistema de saúde [3]. Em estudo retrospectivo de 307 casos designados como imperícia médica a partir de pacientes ambulatoriais que alegaram erro ou atraso no seu diagnóstico, mostrou-se que 181 reclamações envolveram erros de diagnóstico que prejudicaram os pacientes; 59% (106 de 181) desses erros foram associados a danos graves, e 30% (55 de 181) resultaram em morte. Para 59% (106 de 181) dos erros, o câncer foi o 
diagnóstico envolvido, principalmente de mama e colorretal. Os prejuízos mais comuns no processo de diagnóstico foram insuficiência em realizar um teste de diagnóstico apropriado (100 de 181 [55%]), a falta de acompanhamento adequado do paciente (81 de 181 [45%]), a falta de uma adequada história ou exame físico incompleto (76 de 181 [42%]), e a interpretação incorreta de exames complementares (67 de 181 [37%]). Os principais fatores que 
contribuíram para os erros foram equívocos no julgamento dos médicos (143 de 181 [79%]) [3].

Argumenta-se que os médicos em geral subvalorizam a probabilidade de que seus diagnósticos estejam errados e que esta tendência para o excesso de confiança está relacionada a muitos dos equívocos cometidos [4].

Existem dois tipos principais de erros de diagnóstico médico. A primeira ocorre quando uma condição não é diagnosticada; por exemplo, um paciente procura o seu médico com problemas de saúde ao longo de um período de tempo e ele falha em diagnosticar a doença. A segunda ocorre quando um diagnóstico é feito, mas incorretamente. Os erros de diagnóstico também podem ser atrasos e falhas no julgamento da gravidade ou na detecção de complicações.

É necessário salientar que um diagnóstico errado ou tardio por si não é evidência de negligência. Médicos habilidosos podem e fazem erros de diagnóstico, mesmo quando empregam o devido cuidado. A chave é determinar se o médico agiu com competência, que envolve uma avaliação do que o médico fez e não fez para chegar ao diagnóstico. Isso significa olhar para o método do diagnóstico diferencial. Com base numa avaliação preliminar do paciente, o médico faz uma lista de diagnósticos em ordem de probabilidade e, em seguida, avalia a possibilidade de cada diagnóstico, fazendo mais observações do paciente, perguntas mais detalhadas sobre os sintomas e antecedentes, pede exames de acordo com as possibilidades 
levantadas, ou encaminhar o paciente para especialistas. Idealmente, um número de diagnósticos potenciais serão excluídos conforme o andamento da investigação, e apenas um diagnóstico permanecerá ao final. Claro que, em virtude de a medicina não ser uma ciência exata, nem sempre esta é uma fórmula que resulta em um diagnóstico correto. Os problemas clínicos que o médico enfrenta podem ser muito complexos, com numerosas variáveis em jogo, a informação clínica inicial pode ser incompleta ou ambígua. Por isso, o aforisma de William Osler será sempre atual: “Medicina é a ciência da incerteza e a arte da probabilidade”. Ser médico não é fácil e sempre será desafiador, porém os princípios da beneficência e da não maleficência precisam ser cada vez mais respeitados.

Referências
1- CAMPOS, L. M. B. Erros de Diagnóstico. 2012. Disponível em: http://goo.gl/K1Vw2m. Acesso em: 30 set. 2014.
2- NORMAN, G. R.; EVA, K. W. Diagnostic error and clinical reasoning. Med Educ 44(1):94-100, 2010
3- GANDHI, T. K.; KACHALIA, A.; THOMAS, E. J. et al. Missed and delayed diagnoses in the ambulatory setting: a study of closed malpractice claims. Ann Intern Med 145(7):488-96, 2006
4- BERNER, E. S.; GRABER, M. L. Overconfidence as a cause of diagnostic error in medicine. Am J Med, 121(5 Suppl):S2-23, 2008.

*Semanalmente, o Dr. Teuto abre este espaço para seus parceiros exporem suas opiniões e ideias sobre diversos temas. Portanto, este conteúdo é de total responsabilidade de seus autores.