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27/01/2012 Dicas

Vacina contra a poliomielite: o que mudará?

Recentemente, o Ministério da Saúde propôs uma alteração na estratégia de vacinação: agora o Brasil usará a vacina Salk. Confira os detalhes no novo post do blog Médico Ne

Vacina contra a poliomielite: o que mudará?

Será o fim do Zé Gotinha? Ainda não, mas a situação está ficando feia para o lado dele: em breve a vacina Salk, feita a partir de vírus inativado, será introduzida no calendário vacinal brasileiro. Para entender o que está acontecendo é preciso lembrar as diferenças entre as duas: a vacina Salk (VIP) foi desenvolvida por Jonas Salk em 1952. Ao ser injetada, ela propicia uma reação mediada por IgG que impede a viremia, protegendo assim os neurônios motores. Por impedir somente a viremia, a vacina não protege contra infecção e nem impede a transmissão do vírus. 

A vacina Sabin (VOP) foi desenvolvida pelo polonês Albert Sabin em 1957. Não precisa ser injetada, pois apenas duas gotinhas por via oral são suficientes para gerar imunidade. Essa imunidade é mediada por IgA, protegendo especificamente as mucosas, sendo a vacina pouco absorvida e gerando uma proteção especial contra a infecção e a transmissão da doença. Além disso, a Sabin tem uma propriedade especial: como não é absorvida no trato digestivo, ela é eliminada junto às fezes, propiciando a vacinação de outras crianças do mesmo ambiente.

Apesar das vantagens da Sabin, o governo está migrando a estratégia de vacinação para a Salk. Por quê? Seria uma forma vil de lucrar mais com a saúde? Não, até porque a vacina Salk custa mais caro que a Sabin. Então qual a lógica disso?

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O fato é que no Brasil a poliomielite está erradicada há 20 anos, então a vacinação no Brasil não precisa mais seguir os parâmetros de um país que está ainda tentando erradicar a doença. Além disso, a Sabin é constituída de vírus atenuados e aí mora o perigo: os vírus atenuados replicam-se bem nas mucosas, mas replicam-se muito mal no sistema nervoso. Porém, uma mutação nesses vírus pode fazer com que ele comece a se replicar no sistema nervoso e cause o raro caso de polio vacinal. Como em nosso país a poliomielite já está erradicada, o mais coerente agora é seguir o exemplo de outros países e começar a usar a Salk, que não exibe esse risco. 

Sendo assim, teremos no Brasil, a partir do segundo semestre de 2012, uma alteração no calendário vacinal das crianças que incluirá duas doses da Salk, uma aos 2 e outra aos 4 meses de idade, com reforços aos 6 e 15 meses de idade. Junto com os reforços as crianças continuarão a receber a Sabin, ou seja, ainda não é o fim do Zé Gotinha.

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* Semanalmente, o Dr. Teuto abre este espaço para seus parceiros exporem suas opiniões e ideias sobre diversos temas. Portanto, este conteúdo é de total responsabilidade de seus autores.